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domingo, julho 23, 2006

Divagações despropositadas 

Um estudo sobre a figura de Mefistófeles em Fausto poderia se chamar “A Revolta de Wilhelm”. O que faz de Werther uma obra lírica e, de Fausto, uma obra dramática? Qual é a diferença do segundo em relação ao primeiro? Mefistófeles. O Diabo é um duplo irônico de Fausto. Sua função na peça é, entre outras coisas, exercer um efeito deflatório sobre o desmesurado protagonista. Em Werther, percebe-se que Wilhelm tem a mesma vocação. Contudo, faltam-lhe meios para realizá-la; ele não tem voz. Suas posições, conquanto ocasionalmente inferíveis, só comparecem soterradas sobre a voz alheia. Werther tem sempre a última palavra. Com Riobaldo, passa-se algo semelhante: seu narratário fala em negativo. Assim, a dramaticidade de GSV deve-se muito menos à sua estrutura pseudo-dialógica do que à esquizofrenia polifônica do narrador. Riobaldo são muitos.

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Quem adivinha de quem é o soneto abaixo?

SONETO

Por que me descobriste no abandono?
Com que tortura me arrancaste um beijo?
Por que me incendiaste de desejo,
Quando eu estava bem, morta de sono?

Com que mentira abriste meu segredo?
De que romance antigo me roubaste?
Com que raio de luz me iluminaste,
Quando eu estava bem, morta de medo?

Por que não me deixaste adormecida,
E me indicaste o mar – com que navio?
E me deixaste só – com que saída?

Por que desceste ao meu porão sombrio?
Com que direito me ensinaste a vida,
Quando eu estava bem, morta de frio?

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