sexta-feira, outubro 27, 2006
Divagações despropositadas - II
Há um percurso místico que parte do pleonasmo, passa pela metáfora, chega ao paradoxo e, por fim, retorna ao pleonasmo. A princípio, o pleonasmo se associa à antítese e à metonímia: Toda coisa é o que é; o Ser não é o Não-Ser. Esse primeiro estágio é o da Lógica e da Razão Analítica. O segundo é o da Inspiração Poética: Isto é aquilo. O terceiro é o do Êxtase: Tudo é e não é. O quarto é inacessível à experiência humana, porque é o da plenitude ontológica do Divino: Ego sum qui sum. Aqui, o pleonasmo se dissociou de antíteses e metonímias. Já não há “partes”, mas apenas o Todo; o Infinito não se contradiz. Ao primeiro estágio, poderíamos chamar Neoclássico ou Irônico; ao segundo, Romântico ou Analógico. Ao terceiro, pode-se associar a Modernidade místico-existencialista de Clarice Lispector, Guimarães Rosa e Octavio Paz.
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