domingo, janeiro 30, 2005
Gustavo,
Com relação ao sarau, acho que ainda prefiro a data sugerida pelo Eduardo (sábado, 05/02), uma vez que, na segunda-feira, só estarei disponível depois das 17:00h, que é quando a Rafaela vem buscar o Augusto aqui em casa. Ele está muito bem, aliás. Cada vez mais intrépido. Para começar a andar, só falta vontade política. Equilibra-se facilmente sobre duas pernas e já dá seus passinhos desde que de mãos dadas com alguém. Só ainda não se animou a caminhar sozinho, mas claramente já entendeu a lógica da coisa. Só para fechar o assunto anterior: obviamente, nada impede que se realizem dois saraus, um na segunda e outro no sábado.
Eduardo, Eduardo, Eduardo...
Já ouviste falar num livro de nome "Koogan/Houaiss Enciclopédia e Dicionário Ilustrado" (4ª Ed. - RJ: Seifer, 1999)? Pois então. Procura nele a palavra "asceta", definida e ilustrada à página 137, e encontrarás um retrato de ninguém menos que "yours trully", em hábitos monacais e ajoelhado no milho. Para que se tenha uma idéia, o irmão Karamazov com quem mais tenho me identificado até agora é o Padre Ferrapont. Quanto à "performance" mencionada por você, jamais existiu; não passa de um boato ou, na melhor das hipóteses, de uma alucinação coletiva causada por excesso de coca-cola e biscoitinho piraquê. Com relação ao Bozo, confesso que minha preferência pessoal sempre foi pelo Sr. Salsifufu - o que não deixa de atestar a minha afinidade para com os humilhados e ofendidos do mundo, já que o mencionado palhaço era o mais "gauche" da Turma do Bozo.
De modo que a parte mais demonizável do seu último posting é o prólogo. Logo em seguida, porém, vêm os surpreendentes comentários sobre o Jakobson, que pintam dele uma imagem quase oposta à que estamos acostumados. Tudo bem: "demonizável" talvez seja uma palavra forte (apesar de que omnia daemonizabilis est - novo lema do Blog?), mas no mínimo como inusitada e intrigante pode ser classificada uma passagem como a seguinte: "A concepção da palavra-símbolo, de Jakobson, pareceu-me uma atitude antivanguardista, uma teoria na contramão explícita do pensamento radical, autotélico (segundo Bosi) da escrita artística, um combate ao antimimestismo." Intimo-o a se explicar.
Ainda com suas leituras de férias como mote, concluo com um poema de Mário Faustino que me agrada. Abraços para todos.
NÃO QUERO AMAR O BRAÇO DESCARNADO
Não quero amar o braço descarnado,
Que se oculta em meu braço, nem o peito
Silente que se instala no meu lado,
Onde pulsa de horror um ser desfeito
Na presente visão de meu passado
Em futuro sem tempo contrafeito,
Em tempo sem compasso transmudado.
O morto que em mim jaz aqui rejeito.
Quero entregar-me ao vivo que hoje sua
De medo de perder-me em pleno leito
Rubro de vida e morte em que me deito
À luz de ardente e grave e cheia lua.
Ao que, se a Morte chama ao longe: Mário!,
Me abraça estremecendo em meu sudário.
Com relação ao sarau, acho que ainda prefiro a data sugerida pelo Eduardo (sábado, 05/02), uma vez que, na segunda-feira, só estarei disponível depois das 17:00h, que é quando a Rafaela vem buscar o Augusto aqui em casa. Ele está muito bem, aliás. Cada vez mais intrépido. Para começar a andar, só falta vontade política. Equilibra-se facilmente sobre duas pernas e já dá seus passinhos desde que de mãos dadas com alguém. Só ainda não se animou a caminhar sozinho, mas claramente já entendeu a lógica da coisa. Só para fechar o assunto anterior: obviamente, nada impede que se realizem dois saraus, um na segunda e outro no sábado.
Eduardo, Eduardo, Eduardo...
Já ouviste falar num livro de nome "Koogan/Houaiss Enciclopédia e Dicionário Ilustrado" (4ª Ed. - RJ: Seifer, 1999)? Pois então. Procura nele a palavra "asceta", definida e ilustrada à página 137, e encontrarás um retrato de ninguém menos que "yours trully", em hábitos monacais e ajoelhado no milho. Para que se tenha uma idéia, o irmão Karamazov com quem mais tenho me identificado até agora é o Padre Ferrapont. Quanto à "performance" mencionada por você, jamais existiu; não passa de um boato ou, na melhor das hipóteses, de uma alucinação coletiva causada por excesso de coca-cola e biscoitinho piraquê. Com relação ao Bozo, confesso que minha preferência pessoal sempre foi pelo Sr. Salsifufu - o que não deixa de atestar a minha afinidade para com os humilhados e ofendidos do mundo, já que o mencionado palhaço era o mais "gauche" da Turma do Bozo.
De modo que a parte mais demonizável do seu último posting é o prólogo. Logo em seguida, porém, vêm os surpreendentes comentários sobre o Jakobson, que pintam dele uma imagem quase oposta à que estamos acostumados. Tudo bem: "demonizável" talvez seja uma palavra forte (apesar de que omnia daemonizabilis est - novo lema do Blog?), mas no mínimo como inusitada e intrigante pode ser classificada uma passagem como a seguinte: "A concepção da palavra-símbolo, de Jakobson, pareceu-me uma atitude antivanguardista, uma teoria na contramão explícita do pensamento radical, autotélico (segundo Bosi) da escrita artística, um combate ao antimimestismo." Intimo-o a se explicar.
Ainda com suas leituras de férias como mote, concluo com um poema de Mário Faustino que me agrada. Abraços para todos.
NÃO QUERO AMAR O BRAÇO DESCARNADO
Não quero amar o braço descarnado,
Que se oculta em meu braço, nem o peito
Silente que se instala no meu lado,
Onde pulsa de horror um ser desfeito
Na presente visão de meu passado
Em futuro sem tempo contrafeito,
Em tempo sem compasso transmudado.
O morto que em mim jaz aqui rejeito.
Quero entregar-me ao vivo que hoje sua
De medo de perder-me em pleno leito
Rubro de vida e morte em que me deito
À luz de ardente e grave e cheia lua.
Ao que, se a Morte chama ao longe: Mário!,
Me abraça estremecendo em meu sudário.
quinta-feira, janeiro 27, 2005
Gustavo,
Três pontos quanto à sua proposta:
1 - Eu só retorno triunfalmente ao Pré depois do carnaval; quero nem saber.
2 - As matérias do semestre que vem são simplesmente incomentáveis, em qualquer aspecto. Voto pela supressão desse tópico da pauta do próximo sarau, por uma questão de pudor. Qual comentário seria possível diante de uma disciplina com o infame título de "Machado de Assis Afrodescendente", fora interjeições indicando náusea, etc? Aliás, proponho, desde já, a realização de manifestações com faixas e piquetes em frente à sala em que essa desgraça for oferecida, a partir do primeiro dia de aula. Já o Graciliano constitui um tema muito mais atraente.
3 - Neste fim-de-semana, o Augusto fica em minha casa, de modo que não poderei comparecer ao encontro. Sugiro adiamento ou repetição do mesmo no sábado que vem, fechando com chave de ouro (aí, sim) as nossas curtas férias.
Por falar nas minhas "russas companhias", estou aqui impressionado com a criatividade do povo russo para inventar apelidos, a qual só parece encontrar paralelo no talento para trocadilhos do amigo André Sumido. Como vocês que já leram o livro sabem, o sujeito de nome Alieksiéi é também chamado de Lieksiéi, Aliócha, Alióchka, Alieksiéitchic e Liochetchca! Ainda estou na 152ª página de um total de 747 e a lista não pára de crescer! Outra coisa: e o tal Perec, é interessante? Vale a pena ler? Ou não passa de um "perrengue", como (certamente, não) diria o André? É isso. Abraços.
Três pontos quanto à sua proposta:
1 - Eu só retorno triunfalmente ao Pré depois do carnaval; quero nem saber.
2 - As matérias do semestre que vem são simplesmente incomentáveis, em qualquer aspecto. Voto pela supressão desse tópico da pauta do próximo sarau, por uma questão de pudor. Qual comentário seria possível diante de uma disciplina com o infame título de "Machado de Assis Afrodescendente", fora interjeições indicando náusea, etc? Aliás, proponho, desde já, a realização de manifestações com faixas e piquetes em frente à sala em que essa desgraça for oferecida, a partir do primeiro dia de aula. Já o Graciliano constitui um tema muito mais atraente.
3 - Neste fim-de-semana, o Augusto fica em minha casa, de modo que não poderei comparecer ao encontro. Sugiro adiamento ou repetição do mesmo no sábado que vem, fechando com chave de ouro (aí, sim) as nossas curtas férias.
Por falar nas minhas "russas companhias", estou aqui impressionado com a criatividade do povo russo para inventar apelidos, a qual só parece encontrar paralelo no talento para trocadilhos do amigo André Sumido. Como vocês que já leram o livro sabem, o sujeito de nome Alieksiéi é também chamado de Lieksiéi, Aliócha, Alióchka, Alieksiéitchic e Liochetchca! Ainda estou na 152ª página de um total de 747 e a lista não pára de crescer! Outra coisa: e o tal Perec, é interessante? Vale a pena ler? Ou não passa de um "perrengue", como (certamente, não) diria o André? É isso. Abraços.
quarta-feira, janeiro 26, 2005
Amigos! Romanos! Patrícios!
Estais de férias! Acabaram-se as desculpas para o silêncio mausolaico que vem grassando aqui nesta birosca! Agora, é postar! Inclusive, esperem, para breve, trechos selecionados da minha monografia de final de curso: "Camões e Camus: uma paranomásia". Enquanto isso, quero notificá-los de que resolvi finalmente corrigir uma grave falha na minha formação, pela qual alguns de vocês tanto (e justamente) me censuravam: comprei e estou lendo "Os Irmãos Karamazov". Edição econômica da Martin Claret, da famigerada coleção "A Obra Prima de cada Autor", com direito a capa de gosto duvidoso e tudo o mais. Traduzida diretamente do russo por "Boris Solomov", quem quer que seja esse senhor (tem cara de ser primo distante do editor da Revista Bitela). Termino apelando mais uma vez pela ressurreição do nosso pobre Blog (o Eduardo, por exemplo, podia compartilhar seus avanços quanto ao trabalho sobre Cruz e Souza). Abraços.
Estais de férias! Acabaram-se as desculpas para o silêncio mausolaico que vem grassando aqui nesta birosca! Agora, é postar! Inclusive, esperem, para breve, trechos selecionados da minha monografia de final de curso: "Camões e Camus: uma paranomásia". Enquanto isso, quero notificá-los de que resolvi finalmente corrigir uma grave falha na minha formação, pela qual alguns de vocês tanto (e justamente) me censuravam: comprei e estou lendo "Os Irmãos Karamazov". Edição econômica da Martin Claret, da famigerada coleção "A Obra Prima de cada Autor", com direito a capa de gosto duvidoso e tudo o mais. Traduzida diretamente do russo por "Boris Solomov", quem quer que seja esse senhor (tem cara de ser primo distante do editor da Revista Bitela). Termino apelando mais uma vez pela ressurreição do nosso pobre Blog (o Eduardo, por exemplo, podia compartilhar seus avanços quanto ao trabalho sobre Cruz e Souza). Abraços.