sábado, junho 25, 2005
Nossos postings agora têm título!
Amigos,
Por favor, ajudem-me com uma questão que subitamente me assalta:
Não seria uma dose mínima de ceticismo uma condição indispensável à defesa da liberdade de expressão? Pois se estivéssemos absolutamente certos da veracidade de nossas próprias convicções, não estaríamos também automaticamente autorizados, ou mesmo moralmente obrigados, a um posicionamento contrário à disseminação de idéias divergentes em relação às nossas, as quais se nos afigurariam indubitavelmente falsas e, portanto, perniciosas? O que nos propele a assegurar ao outro o direito à voz e à livre articulação de seus pontos de vista, ainda que deles discordemos de forma radical, senão a admissão da possibilidade de que nossos próprios pontos de vista, a partir dos quais reprova-se a convicção alheia, não constituam traduções inequívocas de uma verdade absoluta? Caso acreditemos de maneira incondicional numa correspondência perfeita entre nossas concepções da realidade e a sua configuração objetiva, por que não aplaudir a repressão do erro e da falácia a que se resumiria toda opinião estranha ao nosso credo? Se o Mal e a Mentira pudessem ser identificados sem a menor sombra de dúvida, mais do que um direito, seria um dever combatê-los de todas as formas possíveis, inclusive negando-lhes qualquer via de propagação, isto é, calando seus defensores. Não seria, por isso, o anti-democratismo a consequência lógica de qualquer certeza?
Gustavo, gostei do texto. Será comentado em detalhes dentro em breve. A seguir, este soneto obscuro:
A RESPOSTA DO HOMEM
(Ronald de Carvalho)
"Homem! que queres mais? Dei-te a alegria
Que move os mundos harmoniosamente;
E o céu cheio de estrelas, e a poesia
Da aurora casta, e a lágrima do poente."
"Dei-te a floresta espessa, e a pedraria
Límpida, a água das fontes, transparente,
E o vinho de ouro, a flor trêmula e fria,
E o silêncio mais sábio que a serpente..."
"Dize, que queres mais? O amor, a glória,
A força, ainda mais bela que a Beleza,
A eternidade na hora transitória?"
"Que queres mais, se as tuas mãos têm tudo,
Se é toda tua a imensa Natureza?"
E o Homem olhou a terra, e ficou mudo...
Por favor, ajudem-me com uma questão que subitamente me assalta:
Não seria uma dose mínima de ceticismo uma condição indispensável à defesa da liberdade de expressão? Pois se estivéssemos absolutamente certos da veracidade de nossas próprias convicções, não estaríamos também automaticamente autorizados, ou mesmo moralmente obrigados, a um posicionamento contrário à disseminação de idéias divergentes em relação às nossas, as quais se nos afigurariam indubitavelmente falsas e, portanto, perniciosas? O que nos propele a assegurar ao outro o direito à voz e à livre articulação de seus pontos de vista, ainda que deles discordemos de forma radical, senão a admissão da possibilidade de que nossos próprios pontos de vista, a partir dos quais reprova-se a convicção alheia, não constituam traduções inequívocas de uma verdade absoluta? Caso acreditemos de maneira incondicional numa correspondência perfeita entre nossas concepções da realidade e a sua configuração objetiva, por que não aplaudir a repressão do erro e da falácia a que se resumiria toda opinião estranha ao nosso credo? Se o Mal e a Mentira pudessem ser identificados sem a menor sombra de dúvida, mais do que um direito, seria um dever combatê-los de todas as formas possíveis, inclusive negando-lhes qualquer via de propagação, isto é, calando seus defensores. Não seria, por isso, o anti-democratismo a consequência lógica de qualquer certeza?
Gustavo, gostei do texto. Será comentado em detalhes dentro em breve. A seguir, este soneto obscuro:
A RESPOSTA DO HOMEM
(Ronald de Carvalho)
"Homem! que queres mais? Dei-te a alegria
Que move os mundos harmoniosamente;
E o céu cheio de estrelas, e a poesia
Da aurora casta, e a lágrima do poente."
"Dei-te a floresta espessa, e a pedraria
Límpida, a água das fontes, transparente,
E o vinho de ouro, a flor trêmula e fria,
E o silêncio mais sábio que a serpente..."
"Dize, que queres mais? O amor, a glória,
A força, ainda mais bela que a Beleza,
A eternidade na hora transitória?"
"Que queres mais, se as tuas mãos têm tudo,
Se é toda tua a imensa Natureza?"
E o Homem olhou a terra, e ficou mudo...
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