domingo, junho 26, 2005
Comentário breve
Gustavo,
Reexaminado sua análise de "O Lago", encontro pouca coisa a comentar ou a acrescentar ao que foi dito. Alguns pontos me chamaram mais a atenção. Em primeiro lugar, a observação sagaz de que, no poema em questão, é o aspecto especular do lago que serve como chave para sua conversão em correlato objetivo. Também a interpretação do "vento mau" como uma metáfora para o "Mau Destino", função que a imagem também assume, se não me engano, no poema introdutório de "Cinza das Horas". A expressão "não sei que" reforça essa sua interpretação ao frisar o caráter absurdo da ação do vento: trata-se de uma força exógena cujo poder diruptivo não se rende à compreensão humana.
TRANSFIGURAÇÃO, I
(Paulo Lébeis Bomfim)
Venho de longe, trago o pensamento
Banhado em velhos sais e maresias;
Arrasto velas rotas pelo vento
E mastros carregados de agonias.
Provenho desses mares esquecidos
Nos roteiros de há muito abandonados
E trago na retina diluídos
Os misteriosos portos não tocados.
Retenho dentro da alma, preso à quilha
Todo um mar de sargaços e de vozes,
E ainda procuro no horizonte a ilha
Onde sonham morrer os albatrozes...
Venho de longe a contornar a esmo,
O cabo das tormentas de mim mesmo.
Reexaminado sua análise de "O Lago", encontro pouca coisa a comentar ou a acrescentar ao que foi dito. Alguns pontos me chamaram mais a atenção. Em primeiro lugar, a observação sagaz de que, no poema em questão, é o aspecto especular do lago que serve como chave para sua conversão em correlato objetivo. Também a interpretação do "vento mau" como uma metáfora para o "Mau Destino", função que a imagem também assume, se não me engano, no poema introdutório de "Cinza das Horas". A expressão "não sei que" reforça essa sua interpretação ao frisar o caráter absurdo da ação do vento: trata-se de uma força exógena cujo poder diruptivo não se rende à compreensão humana.
TRANSFIGURAÇÃO, I
(Paulo Lébeis Bomfim)
Venho de longe, trago o pensamento
Banhado em velhos sais e maresias;
Arrasto velas rotas pelo vento
E mastros carregados de agonias.
Provenho desses mares esquecidos
Nos roteiros de há muito abandonados
E trago na retina diluídos
Os misteriosos portos não tocados.
Retenho dentro da alma, preso à quilha
Todo um mar de sargaços e de vozes,
E ainda procuro no horizonte a ilha
Onde sonham morrer os albatrozes...
Venho de longe a contornar a esmo,
O cabo das tormentas de mim mesmo.
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