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domingo, abril 24, 2005

Dear brothers-in-pain,

Em nosso último encontro, mencionou-se a jovem poetisa paulista Mariana Ianneli, de quem sou admirador. Um dia desses, recomendei ao Gustavo que visitasse o site dela, onde se expõem alguns poemas seletos dos três livros que já publicou. Gustavo seguiu minha dica, mas, como vocês se lembram, declarou-se não muito impressionado com o que viu. Pois bem. Seguem uns versos de que gosto muito (talvez os meus preferidos da sua pequena obra), que certamente farão com que nosso amigo reveja sua posição. Ainda por cima, têm tudo a ver com os assuntos que, naquela fatídica madrugada, perturbaram o sono da família Nassif (e ainda perturbam o meu), pois que tratam destes nosso tempos áporos, suas angústias e desilusões. Por falar, em "áporo", dediquem especial atenção ao verso 09, que é um primor drummondiano. No mais, não se desespere, Fábio, dos comentários prometidos sobre o seu último texto. Eles virão, quando os deuses assim quiserem. Agora, sem mais delongas, I give you...

ESQUECEMOS ESTE CÉU ABSOLUTO

Esquecemos este céu absoluto
Que inspirou o nosso enigma.
Esta prisão do silêncio,
Derrota do nosso grito,
Confinou entre paredes
O canto selvagem das crianças
Surgidas do desconhecido.
Aquilo que o destino elaborava
Na sua muda conspiração de ritmos,
Fosse um labirinto de sombra
Ou tão-somente, antes disso,
Um cuidadoso plano de suicídio,
Não soubemos decifrar.
Chegamos ao extremo do caminho
Aonde ninguém vai sem antes dar-se por vencido.

Para encerrar, uma nota anedótica: esse foi um dos dois poemas escolhidos por mim para ilustrar a aula que ministrei hoje à tarde, no Pré-Ufmg, intitulada "Interpretando textos literários", a qual contou com a participação de, vamos ver: por alto, aproximadamente, UM! alunos. Em compensação, o camarada gostou muito; agradeceu e tudo. Estou curioso para saber como foi a aula do Eduardo, naquele limbo dimensional conhecido em alguns círculos pelo estranho nome de "Barreiro". O outro poema que analisei foi o "Hai Kai" (yeah, rigth; m'engana que eu gosto) de Paulo Leminsky: "Lua à vista / Brilhavas assim / Sobre Auschwitz?" Em minha defesa, o poema é curto e, por isso, pode ser facilmente reproduzido no quadro. É ruim, mas é pouco, como dizia meu avô quando queria persuadir um convidado a almoçar em sua casa. Brincadeiras à parte, até que gosto dos versinhos. Para ser completamente honesto, reli o "Distraídos Venceremos" por ocasião dessa monitoria e me surpreendi ao encontrar ali alguma coisa de valor, onde, antes, só enxergava vanguardismo tolo e banalidade. É preciso estar constantemente alerta contra as ciladas de nossos próprios preconceitos. A parte dos supostos Hai Kais continua irredimível, contudo. Folguem em saber.

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