terça-feira, maio 11, 2004
Concordo que certa arrogância deva ser perdoada à vã guarda (reparem como, certos trocadilhos infames, apenas a língua escrita nos permite fazer). Afinal de contas, como já dizia o grande Murilo, a sabedoria não faz parte do universo de valores das vanguardas, e é a partir desse universo que elas desempenham sua função específica. Porém, o que eu fico me perguntando é o seguinte: será que, após cinco séculos de Era Moderna, essa função já não se tornou obsoleta? Uma coisa é compreender a petulância de certos movimentos artísticos inseridos em seus devidos contextos. Outra é seguir tolerando o aspecto valorativo-excludente do discurso vanguardístico: "eu = bom / não-eu = ruim". Isso é o que realmente me incomoda quando penso em vanguardas, e o repúdio a esse tipo de atitude me parece ser a grande tarefa da contemporaneidade.
Comments:
Postar um comentário