segunda-feira, maio 17, 2004
André,
"Hanseníase" foi demais! Cada vez me convenço mais de que a grande contribuição deste Blogger para a cultura ocidental será o registro para a posteridade de trocadilhos como esse! Você tem é que registrar esses negócios em cartório antes que alguém te plagie.
Eu não diria que o texto do Hansen me provoca "repúdio". Acho útil e saudável ressaltar a dimensão histórica do Barroco, impondo o freio da lucidez ao entusiasmo exagerado de algumas leituras sincronistas. Acho mesmo que manter em mente o aspecto contextual de um determinado texto é uma atitude imprescindível a qualquer análise que não se queira deformante. Entretanto, afirmar que a estética barroca tinha como única diretriz a imitatio aristotélica é confiar demais na visão necessariamente limitada e parcial que uma época tem sobre si mesma. É verdade que os tratados poéticos seiscentistas seguiam afirmando a mimesis como valor absoluto da criação artística. Contudo, o exame da produção poética contemporânea a esses mesmos tratados, aparelhado com todos os instrumentos acumulados ao longo dos quatro séculos que nos separam deles, conduz a uma conclusão diametralmente oposta. Quero desenvolver essa afirmação em postings futuros. Por enquanto, limito-me a tentar contestar (na minha arrogância quase concretista) um argumento que me parece capenga no texto do Hansen. Ele compara a imporância do sujeito para a criação literária durante o Barroco, o Romantismo e o Modernismo, chegando à óbvia conclusão de que era menor no Barroco. Ora, se partirmos da premissa (rejeitada por Hansen) de que o papel do sujeito começou a ganhar importância durante a vigência do Barroco e que esse processo apenas se intensificou ao longo da Modernidade, não seríamos forçados a conclusão idêntica? É simplesmente lógico presumir que as características de um determinado processo sejam menos intensas no início do que no fim do mesmo, é ou não é?
"Hanseníase" foi demais! Cada vez me convenço mais de que a grande contribuição deste Blogger para a cultura ocidental será o registro para a posteridade de trocadilhos como esse! Você tem é que registrar esses negócios em cartório antes que alguém te plagie.
Eu não diria que o texto do Hansen me provoca "repúdio". Acho útil e saudável ressaltar a dimensão histórica do Barroco, impondo o freio da lucidez ao entusiasmo exagerado de algumas leituras sincronistas. Acho mesmo que manter em mente o aspecto contextual de um determinado texto é uma atitude imprescindível a qualquer análise que não se queira deformante. Entretanto, afirmar que a estética barroca tinha como única diretriz a imitatio aristotélica é confiar demais na visão necessariamente limitada e parcial que uma época tem sobre si mesma. É verdade que os tratados poéticos seiscentistas seguiam afirmando a mimesis como valor absoluto da criação artística. Contudo, o exame da produção poética contemporânea a esses mesmos tratados, aparelhado com todos os instrumentos acumulados ao longo dos quatro séculos que nos separam deles, conduz a uma conclusão diametralmente oposta. Quero desenvolver essa afirmação em postings futuros. Por enquanto, limito-me a tentar contestar (na minha arrogância quase concretista) um argumento que me parece capenga no texto do Hansen. Ele compara a imporância do sujeito para a criação literária durante o Barroco, o Romantismo e o Modernismo, chegando à óbvia conclusão de que era menor no Barroco. Ora, se partirmos da premissa (rejeitada por Hansen) de que o papel do sujeito começou a ganhar importância durante a vigência do Barroco e que esse processo apenas se intensificou ao longo da Modernidade, não seríamos forçados a conclusão idêntica? É simplesmente lógico presumir que as características de um determinado processo sejam menos intensas no início do que no fim do mesmo, é ou não é?
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